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Como lidar com o direito à liberdade dos nossos filhos?

  • 15 de abr.
  • 3 min de leitura

Antes de termos filhos deveríamos fazer um curso de como ajudar um ser humano a evoluir em suas diversas etapas de desenvolvimento. Pensamos muito em como dar o maior amor que conseguirmos demonstrar e as melhores coisas que conseguirmos comprar, mas isso não é tudo!

Na verdade, essa parte vem depois da base que precisa ser construída desde a gestação, que é o entendimento de estarmos trazendo ao mundo um ser independente de nós, com necessidades próprias e, por isso, precisará do nosso respeito profundo, justamente porque nos primeiros anos de vida irá depender do nosso cuidado para garantir sua sobrevivência, sem que isso queira dizer que poderemos definir e controlar tudo o que esse ser irá fazer até seus 18 anos de idade ou mais. O importante é perceber que quanto mais respeitosos formos, mais esse ser terá oportunidades de experimentar por si só todas as coisas e liberdade para decidir o que for melhor para ele e, quando cometer alguns erros, terá chances de corrigi-los e segurança para tentar de novo sem medo do fracasso. 


A escolha de ser cuidadores de uma criança amplia muito quando analisamos essa questão de que deveríamos nascer em liberdade mesmo não podendo escolhê-la ainda. Perceber que cuidar de um ser humano não é apenas dar amor e cuidados físicos é também olhar para suas emoções e estrutura psicológica e de como elas estão se formando. Essa dimensão deve ser olhada em todas as interações e fases da criança, porque ela já é constituída de todos os sentidos e percepções para absorver o mundo que chega até ela. A questão séria é que ainda não possui defesas do ego ou desenvolvimento cognitivo completo, como pensamento abstrato, linguagem com vocabulário extenso e complexo para conseguir dizer o que pensa, reflexões e outros, para lidar com as demandas que chegam. Apenas absorve e armazena, no máximo vem uma dor de barriga, uma febre, um choro, mas nada que ela consiga lidar, precisa do apoio do adulto para fazer isso junto com ela, até conquistar, lá pelos 12 anos, um início de raciocínio lógico e reflexão sobre o sentido abstrato da vida e, a partir das experiências que teve junto com os adultos de compreender e  resignificar situações difíceis, vai aos poucos sabendo lidar sozinha com as novas demandas que chegarem. 


Ser um mediador entre a criança e o mundo, deixando ela explorá-lo com alguns cuidados, mas sempre com respeito à sua liberdade de escolha. Amparando, não controlando; perguntando, não decidindo; confiando, não duvidando; respeitando, não anulando. Faz com que a criança progrida em seu crescimento biopsicossocial de forma natural e saudável.


Essa forma respeitosa de educar os filhos cria mais conexão dentro da família, desenvolve um comportamento gentil, firme e constrói pessoas seguras para a vida, conseguindo resolver problemas com mais leveza e confiança.


Não é fácil tirar antigos costumes, mudar o modo de agir; diferente de como fomos criados. É uma ilusão achar que estamos seguindo em frente sem mudanças, pois sem elas ficamos estagnados, repetindo erros do passado e sonhando com um resultado diferente para nossos filhos. Muita coisa deu certo daquilo que fizeram de nós, mas as coisas que deram errado podem mudar e é nas próximas gerações que realizamos esse milagre de uma realidade mais respeitosa e pacífica.


Edina Vasco - Psicóloga


 
 
 

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